quarta-feira, 3 de abril de 2013

DEUS AMA O MUNDO DE TAL MANEIRA - JOÃO 3:16

Feliciano diz que comissão era 'dominada por Satanás' antes de sua chegada


Alvo de protestos contra sua permanência na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, o deputado federal e pastor evangélico Marco Feliciano (PSC-SP) afirmou que o colegiado era "dominado por Satanás" antes de sua chegada ao posto.

Feliciano fez as declarações na sexta-feira à noite, durante um culto num ginásio de Passos (348 km de BH), no sul de Minas Gerais.

Ao comentar um protesto contra ele que ocorria do lado de fora, afirmou: "Essa manifestação toda se dá porque, pela primeira vez na história desse Brasil, um pastor cheio de espírito santo conquistou o espaço que até ontem era dominado por Satanás".

Criada em 1995, a comissão já foi presidida por 15 parlamentares antes de Feliciano.
O deputado e pastor vem sendo alvo de protestos desde o dia que foi escolhido por seu partido para presidir o colegiado, no início de março.

Ativistas o acusam de ser homofóbico e racista. Citam declarações e mensagens que ele postou no Twitter. Feliciano diz ser mal interpretado.

A fala sobre Satanás na comissão foi divulgada no YouTube. Na sequência, ele criticou a realização de um seminário sobre "diversidade sexual na primeira infância" feito pelo órgão em 2012. "Eu morro, mas não abandono minha fé", gritou.

O deputado, que se disse "perseguido" e alvo de uma "ditadura", pediu apoio dos fiéis contra os manifestantes. "Se é para gritar, tem um povo que sabe o que é grito. [...] Nós (evangélicos) sabemos qual é o poder da nossa fé."

Feliciano disse ainda que igrejas estão desmarcando participações dele em eventos em razão dos protestos. Ele afirmou que 23 dos 30 compromissos de março foram cancelados.

"A natureza deles é gritar, xingar, falar palavras de ordem. É dar beijos no meio da rua, tirar a roupa. A natureza deles é expor um homem como eu, pai de família, ao ridículo", disse.

O PSC calcula que a repercussão em torno do deputado deverá triplicar os 211 mil votos que ele obteve em 2010.

Feliciano também usou o culto para criticar a mídia ("tendenciosa") e as atrizes Fernanda Montenegro e Camila Amado, que se beijaram na boca na semana passada num ato de repúdio ao pastor.

"Mal sabem elas que não estavam me atormentando. Estavam mostrando ao povo brasileiro --que ainda é um povo família, que respeita o ser humano--, que o que eles lutam não é por direitos, mas é por privilégios."

Procurada ontem pela Folha, a assessoria de Feliciano disse que as declarações foram dadas na função de pastor e no contexto da igreja, e não como parlamentar.

Pastor da Universal agride operador com microfone e igreja paga 25 mil


A Igreja Universal do Reino de Deus em Belo Horizonte foi condenada a pagar uma indenização de R$ 25 mil por danos morais ao técnico de som Queriston Pontes que foi agredido com um microfone por um pastor da IURD. A sentença foi proferida no âmbito do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG) e mantida pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Irritado o operador de som por não obter o efeito desejado, o pastor que não teve o nome divulgado pelo TST agrediu o trabalhador empurrando o microfone em seu rosto.

Conforme informou a assessoria de imprensa do TST, na reclamação trabalhista consta que os pastores se irritavam e humilhavam o operador publicamente e o acusavam do tratamento acústico das paredes do templo não retomarem a reverberação necessária para impressionar os fiéis.

Segundo testemunhas do processo, um dos pastores chamava Queriston de incompetente durante o culto e nos rituais de exorcismo apontava o dedo em sua direção dizendo: "ali está o demônio, ele que estraga tudo, é aquele rapaz ali em cima. Queima este demônio aí em cima, queima, queima ele, mande ele embora, pois ele é o demônio que está estragando a nossa reunião".

Igreja Universal é condenada por agredir fiel em sessão
Igreja Universal é condenada a devolver R$ 74 mil a fiel arrependida

Indenização

O juízo da 3ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte fixou a pena de dano moral em R$ 50 mil, porém, a defesa da Igreja Universal alegou que não havia provas de danos psíquico-emocionais ou incapacidade para o trabalho causados pela Igreja.

O TRT-MG manteve a condenação por entender que expressões degenerativas, rebaixamento da auto-estima e agressão física requerem reparação moral e reduziu a indenização para R$ 25 mil.

A Igreja Universal do Reino de Deus então recorreu à última instância da Justiça do Trabalho sustentando a inexistência do dano moral e solicitando recálculo da indenização sob alegação de falta dos critérios da razoabilidade e proporcionalidade.

Por unanimidade, os ministros da Terceira Turma do TST entenderam que foi comprovado por prova testemunhal o sofrimento do empregado e o tratamento vexatório dispensado a ele no curso do contrato e mantiveram a sentença.